O ser humano é realmente o ser mais complicado do planeta terra. Por mais que tentemos, por mais que façamos gráficos e levantamentos de estatísticas, nunca conseguiremos explicar o que vai na nossa cabeça, na nossa “alma”, naquela parte que a medicina não consegue atingir.
Uma das coisas que me faz muita confusão é o medo que as pessoas têm de tomar uma decisão, de assumir responsabilidades.
Eu também falo por mim, de todas as situações da vida por que passei e as decisões que tive de tomar, a maior parte delas tomadas inconscientemente, mas algumas que até hoje me perseguem (e assombram).
Sempre ouvi dizer que pior que uma má decisão é uma não decisão. Acho que mais verdadeira que esta expressão não é possível. Claro que arrependermo-nos futuramente da decisão que tomámos nos leva a ter mais cuidado no futuro, mas não apaga o caminho que escolhemos previamente.
Ainda à pouco estava eu a ver um episódio do “Defying Gravity” (isto antes de faltar a merda da luz…) e uma das frases que me levou a escrever este post foi qualquer coisa como: “O rio tem duas margens. Mesmo depois de passarmos para o outro lado as nossas pegadas permanecem na margem onde estávamos”. Para os mais básicos, esta metáfora faz justiça à expressão do parágrafo anterior, ou seja, mesmo depois de seguirmos com a vida, as decisões que tomámos, certas ou erradas, continuarão a fazer parte da nossa vida.
É com as decisões que tomamos que definimos o nosso carácter (ou a nossa essência). E geralmente as que mais nos definem são as más decisões, as que nos levam a questionar o “..e se…” da outra possível decisão.
Sinceramente acho que não existem más decisões, mas sim decisões que mudam o rumo da nossa vida para caminhos indesejados. Por muito boa que a minha vida tenha sido até hoje, lembro-me perfeitamente das mais difíceis decisões que tive de tomar e o que elas me fizeram actualmente.
Não, não estou arrependido, mas penso muito nos “”…e se…”. Penso que tudo poderia ser diferente se tivesse escolhido B em vez de A, 1 em vez de 2… enfim, é triste não termos a certeza de que tomámos as melhores decisões na nossa vida, embora no momento elas nos tivessem parecido as mais acertadas.
E realmente pior que uma má decisão é uma indecisão, ou não decisão. O nosso mundo rege-se por pessoas que não querem tomar qualquer decisão sobre a sua vida, que se conformam com as decisões tomadas por outros e nunca defendem os seus ideais. Essas “semi-pessoas”, ou vegetais, são as que fazem do nosso mundo a real merda que ele é hoje.
Política, religião, “desporto”, música, o que quiserem. Tudo na vida mudou porque alguém decidiu marcar posição, ou seja, fazer valer a sua opinião, o seu ideal.
Mas no fundo, somos muito medrosos, fracos e cobardes, pois mais de metade da nossa vida sucumbimos às decisões dos outros sem questionar possíveis alternativas.
Vamos tentar ser mais “abertos” à mudança, tentar sair mais da nossa zona de conforto (vulgarmente chamada por zona do “epá, tou-me a cagar para isso e o que escolherem está bom para mim”) e tentar pesar as outras alternativas existentes.
E entretanto como já voltou a electricidade (dass… um gajo é mais dependente da EDP do que da droga…) vou continuar a ver o episódio que estava a ver.
Comentários são bem vindos, não se conformem com a minha “decisão”.

Março 31st, 2010
Hugo
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